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A arte de conseguir o que se quer

16 / 05 / 2012 07:00 por Felipe Parra 1 Comentário

Crianças são doces, arteiras, carinhosas, criativas, cativantes e muito mais. Mas têm uma característica que nunca é dita em voz alta, como se fosse um crime admitir algo de ruim em alguém tão pequeno. Essa característica só é sussurrada em reuniões de pais e almoços de família. Não sei se você percebeu, mas eu mesmo estou aqui enrolando, com dificuldade de dizer. Bom, aí vai.
Crianças são manipuladoras.
Sim, é verdade. Elas aprendem – ou nascem sabendo – que determinadas ações delas provocam por demais os pais ou adultos à sua volta. Ou você consegue ficar aí, de braços cruzados, enquanto o seu filho chora? Duvido.
Estou dizendo isso porque o Pedro entrou na fase da manha. Sabe aquele pai que você cruza no shopping e vê o filho se esgoelando no chão? E aí você pensa, “ah, se fosse meu filho”. Prazer, esse pai sou eu.
Mas eu aprendi rapidamente a lidar com isso. A principal tática é justamente não cair na manipulação. Ou seja, aquela ação dele não pode fazer com que você reaja.
Por mais que você esteja se remoendo por dentro, capriche na cara de “não estou aí”. Não dá para ser plateia dele. Nem pelo lado da bronca (que não vai adiantar nada), nem pelo lado da vergonha ou preocupação. Se percebo que é birra, não dou bola.
Outra coisa que tento fazer é atrair a atenção dele de outro jeito. Enquanto ele bate a cabeça no chão porque eu não o deixei mexer em uma faca (!!), sento ao lado da caixa de brinquedos e começo a brincar com seu carrinho favorito. Rapidamente, ele engole o choro e se junta a mim, percebendo que o drama inventado não fez efeito algum.
E a birra vai diminuindo. Afinal, ele vai sacando que não tem tanta eficácia assim.

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Felipe Parra: Músico, produtor musical, jornalista e pai do Pedro, nascido em maio de 2010. Com uma rotina de horários flexíveis, consegue acompanhar de perto todos os passos do pequeno.
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Música para ouvir música

09 / 05 / 2012 09:44 por Felipe Parra 1 Comentário

Eu sou músico e produtor musical. Sou sócio de um estúdio no qual produzimos discos e trilhas sonoras. Ou seja, o que não falta na vida do Pedro são instrumentos musicais. Lembro-me de uma das primeiras consultas ao pediatra, em que perguntei se era saudável eu tocar piano com ele no colo. Estava preocupado com os ouvidos sensíveis daquela coisa pequena que tinha acabado de nascer. “Se você não deixá-lo cair no chão enquanto toca, tudo bem”, respondeu o médico. Sem problemas, então.

Sempre procurei incentivar esse lado nele, sem forçar nada. Até porque ele é muito pequeno para qualquer coisa. Mas a música só traz coisas boas para o desenvolvimento do Pedro. Ajuda a destravar a língua cantando, ajuda na coordenação motora e na capacidade de perceber novos sons. E ele se diverte um montão.

É um barato observá-lo conhecendo novos sons no estúdio. Mexendo com percussões e ficando surpreso com cada nova descoberta.

Por isso, vale muito a recomendação: pais, coloquem músicas para seus filhos ouvirem. E não precisa ser só aquelas infantis, que todos conhecem. Eles adoram descobrir coisas novas.

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Felipe Parra: Músico, produtor musical, jornalista e pai do Pedro, nascido em maio de 2010. Com uma rotina de horários flexíveis, consegue acompanhar de perto todos os passos do pequeno.
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A primeira vez

02 / 05 / 2012 09:06 por Felipe Parra 1 Comentário

Ter um filho, acima de tudo, é a chance de você ter várias ”primeiras vezes” novamente. Eu, infelizmente, não me lembro da primeira vez que vi o mar. Mas lembro e sempre vou me lembrar dos olhos fascinados do Pedro vendo aquele monte de água se mexendo. Os olhos esbugalhados e a boca aberta, tentando entender o que era aquela imensidão azul.

E ele ainda vai ter muitas dessas primeiras experiências. A primeira volta de bicicleta, o primeiro beijo… Sei que em muitas eu não estarei presente e, por isso mesmo, é muito legal ver de perto ele se desmanchando com novas descobertas.

Nessa semana, ele provou uma das grandes felicidades da vida pela primeira vez: o chocolate. Nós tínhamos a ideia de não dar açúcar para ele até os 2 anos. Não sei se foi orientação do pediatra, mas essa era a meta. Depois dos 2 anos, tudo bem. Ele está com 1 ano e 10 meses, ou seja, quase conseguimos.

Fui com ele tomar café da manhã na padaria da esquina. Ele, num mau humor matinal terrível, não queria papo com ninguém. O rapaz da padaria, que já gosta muito do Pedro, veio puxar papo com ele. Como não obteve sucesso, voltou com um brigadeiro. E aí, meus amigos, foi difícil segurar. Eu fiquei lá, sem saber o que fazer. O Pedro não pensou duas vezes, enfiou o brigadeiro inteiro na boca – às 9 da manhã, vejam só.

Eu, me sentindo o pior pai do mundo, assisti à cena de camarote. Mas, vendo o sorriso estampando no seu rosto, não tive como me sentir mal. Tudo bem, dessa vez passa. Chocolate é bom pra caramba. Taí, uma primeira vez que realmente vale a pena.

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