Ler o artigo sobre troca de fraldas, no canal Especialistas, me levou a uma viagem ao passado. Não muito longe, mas longe o suficiente. Afinal, já faz mais de quatro anos que não troco uma fralda. E acho que não vou trocar tão cedo. Você pode imaginar o que foi nossa vida, minha e da Bia, durante os primeiros anos e principalmente meses de vida do trio? Dizer que foi uma loucura não traduz totalmente o que foi a experiência, em especial quando o assunto é fralda.
Nunca, antes de ser pai, havia trocado uma fralda sequer, nenhuminha, pra contar história. E olha que tive dez sobrinhos que poderiam ter servido de cobaias para a inexperiência do tio. Mas que nada. Esperei pra lidar com as fraldas só quando me tornasse pai. Minha relação com elas, na verdade, começou ainda na gravidez da Bia, num chá de fraldas que Angelo, um amigo nosso, promoveu. Ele convidou os amigos e os amigos dos amigos dos amigos para uma noite de chope e churrasco em sua casa. E pediu que cada um levasse pelo menos um pacote de fraldas. Bom, sai de lá, de madrugada, com o porta-malas do carro completamente lotado, com fraldas para quatro meses.
Uns amigos no tal chá gentilmente se ofereceram para me dar uma aula de como trocar uma fralda. Eu ria e dizia que não precisava, porque em poucos meses seria PhD no assunto. E foi a mais pura verdade. Ainda no hospital recebemos as primeiras orientações de como proceder, já com a mão na massa (digo, nas crianças). Eram tão pequeninos que as fraldas sobravam neles (poderia também dizer que faltava recheio para as fraldas).
Fomos pra casa. A loucura começou e nunca mais parou por quase três anos. Bia era muito exigente com a troca de fraldas. Acho que nos primeiros meses trocávamos as fraldas umas 10 ou 12 vezes por dia e esse número foi diminuindo até chegar a oito por dia, à medida que cresceram. A limpeza era feita com água e sabonete e, mais tarde, quando maiorzinhos, com lencinhos umedecidos.
Acredito que isso garantiu que as crianças não tivessem problemas de pele e raras foram as vezes que tiveram assaduras. Afinal, estavam sempre sequinhos, limpinhos e confortáveis. Era trabalho que não acabava mais. Isso tudo multiplicado por três. Durante os primeiros meses, nossos dias se resumiam basicamente a alimentar e trocar fraldas dos nossos pequenos.
Eu comprava fraldas por atacado, coisa de nove pacotes daqueles de 36 fraldas por mês. Quando achava um lugar com preço bom, fazia estoque. Fazendo as contas com os gastos com fraldas, Bia e eu chegamos a um número próximo ao de um carro pequeno, básico. Dinheiro que parece que foi jogado literalmente no lixo, mas não, foi um investimento que fizemos na saúde deles.
Foi uma experiência e tanto e acho que foi suficiente. Não cheguei a jurar que não iria mais trocar fraldas (a gente acaba pagando a língua, não é?), mas estou perto disso. Sinto saudades do tempo em que eram pequenos bebês, mas não tenho a mínima saudade de todo o trabalho que tivemos pra cuidar deles e garantir que fossem saudáveis.
De qualquer jeito, acho que todo o nosso esforço valeu a pena. Mas haja fraldas!

Octavio Lacombe:
Arquiteto, urbanista, professor e blogueiro, Octavio é casado com Bia desde 2000 e pai dos trigêmeos Diogo, Laura e Mario, que nasceram em 2004. Sobre os filhos, diz que “sabem se divertir juntos e adoram ter mais amigos por perto”. Atualmente, a família vive em Calgary, no Canadá.








OCTAVIO,
O capitulo FRALDAS para mim, não encerrou – se! até queria saber como vocês conseguiram tirar as benditas fraldas. O certo é que o meu trio continua usando FRALDAS somente no período da NOITE. durante o dia, graças ao bom Deus, isto não ocorre mais. Só que eles estão com quase CINCO ANOS, isto mesmo, quatro anos e sete meses…
Veja só…claro que faço um MEA CULPA, não tive forças ainda para enfrentar esta empreitada…estamos saindo de outros desafios. e um a cada vez.
Nossa, a foto que você escolheu está linda!
grande beijo para vocês todos!
beth
Octávio.
Eu adorei a parte em que diz: Bia era exigente com a troca de fraldas
Ainda bem que teve, estatisticamente falando, um excelente campo de teste e formação.
Canso de imaginar, mas penso também que de alguma forma tenham se preparado para tamanha demanda.
Estes seus pequenos/grandes são incrivelmente saudáveis e tenho certeza que são privilegiados em cultura, carinho, amor e todas estas coisas.
Além de PhD em fraldas, vc é um excelente pai!
Bjs.
Nossa Octavio, imagino os primeiros 2 meses em que cada troca é uma surpresa. Não só fraldas mas a quantidade de bodys e calças utilizadas por dia, rsrs.
Vocês são especialistas no assunto!!
bjs,