Estava lendo o texto de Teresa Ruas sobre qualidade do tempo no canal Especialistas, aqui do blog, que me fez refletir sobre várias questões e lembrar de como encarei a necessidade de dedicar parte do meu tempo às crianças.
Pensando bem, não foi muito difícil eu me convencer de que precisava fazer isso. Pelo contrário, fiquei tão enlouquecido por eles que difícil mesmo era lembrar das outras responsabilidades.
Não sei se já contei aqui, mas logo que eles nasceram eu dei a mesma aula durante três meses, até que um aluno veio me dar um toque: ”Escuta, já ta ficando chato a gente vir aqui toda semana e ouvir você falar a mesma coisa e propor o mesmo exercício. Será que dá pra falar alguma coisa diferente?”
Nem preciso dizer que fiquei de quatro. Não tinha percebido que não saía do lugar. Fazer o quê? Foi um vexame!
Quando as crianças entraram em minha vida, eu dava aulas numa universidade a 100 km de Campinas (SP) e tinha de sair cedo pra começar a aula às 7h30. Eu aproveitei pra criar uma rotina bem cedo com as crianças, já que seria difícil encontrá-las acordadas ao voltar pra casa.
Eu levantava, tomava banho, me arrumava e acordava a criançada com uma mamadeira. Trocava as fraldas de todos e ficava meia hora brincando e interagindo com eles ainda no berço. Crianças acordam de bom humor (pelo menos os meus filhos acordam).
Era um momento divertido pra mim e pra eles. Eu partia pro trabalho com 100% de energia positiva, feliz, revigorado. E eles ficavam felizes e prontos pra começar o dia com alegria.
Eu tinha apenas meia hora, quarenta minutos com eles, mas fazia daquele momento um momento intenso, acredito que cheio de qualidade. Como disse a Teresa, não é a quantidade que importa, mas a qualidade do tempo que se dedica às crianças.
Eu acho que quanto mais, melhor. Sim, porque acho que as relações afetivas necessitam de investimento para que floresçam e se fortaleçam. Então, fui procurando mais oportunidades para estar com as crianças e, à medida que cresceram novos horários foram surgindo.
Depois, tive a oportunidade de trabalhar dois dias por semana em casa – podia participar da hora das refeições, do banho e de outros momentos em que interagia ludicamente com eles.Além disso, Bia teve de voltar ao trabalho depois de sua licença-maternidade e eu ocupei bastante o espaço que ela deixou, especialmente naqueles dois dias por semana em que trabalhava em casa.
Aqui no Canadá, vejo que as mães têm filhos em carreirinha, um atrás do outro, com diferença de um ou dois anos entre eles (pra poderem encurtar seu período fora do mercado de trabalho, voltando depois de seis ou sete anos). As crianças começam na escola em tempo integral por volta dos 5 anos. Também não é raro ver o pai cumprindo esse papel e ficando em casa com as crianças enquanto a mãe volta a trabalhar, dependendo das circunstâncias de cada família.
Acho que nunca deixei de reservar parte de meu tempo para ficar com as crianças. Isso acaba se tornando um hábito, uma necessidade. Hoje, faço questão de ficar com elas enquanto fazem suas atividades de desenho.
Faço questão de jogar com eles, jogos de tabuleiro ou até videogame, oportunidades pra sedimentar regras de convívio social. Adoro acompanhá-los em atividades físicas como andar de bicicleta, nadar, jogar bola. E tento, na medida do possível, compartilhar com eles as coisas que penso e sinto sobre várias situações do meu dia a dia ou até sobre coisas que vivenciamos juntos. E procuro ver filmes, ler livros, fazer pesquisas na internet, sempre discutindo e comentando com eles o que vimos.
A jornada de trabalho no Canadá é mais curta, geralmente às 5 da tarde as pessoas já estão de volta em casa. Há mais oportunidade de estar com as crianças. De qualquer modo, depois que dedicar um tempo de qualidade com eles se torna um hábito, a gente acha que nunca é suficiente. Sempre quer mais. Acho que até uma certa idade, mais é sinônimo de melhor. Depois, eles precisam do próprio tempo pra pensar sozinhos e desenvolverem suas individualidades. Acho que os meus estão chegando nessa idade. Quem sabe um dia a Teresa me dá umas dicas…

Octavio Lacombe:
Arquiteto, urbanista, professor e blogueiro, Octavio é casado com Bia desde 2000 e pai dos trigêmeos Diogo, Laura e Mario, que nasceram em 2004. Sobre os filhos, diz que “sabem se divertir juntos e adoram ter mais amigos por perto”. Atualmente, a família vive em Calgary, no Canadá.








Octavio.
Deve ser uma delícia olhar pra tras e perceber que vc fez e faz o melhor sempre pelos pequenos.
Adorei o post. Um beijo.
Olá Otavio,
a qualidade do tempo com as crianças é mesmo muito importante. Quando meu filho mais velho nasceu (sou uma destas mães de “carreirinha”), eu parei de trabalhar porque queria me dedicar a eles. Minha caçulinha hoje tem 4 anos e eu ainda quero ficar em casa. E mesmo passando o dia todo me dedicando a eles, eu sempre me sinto culpada por não fazer tudo o que acho que deveria. É uma eterna cobrança por mais tempo de qualidade.
abraço Mari
Muito bacana o post Octavio. Acho fundamental esse equilíbrio de qualidade do tempo com a quantidade adequada. Digo isso porque eu acho que a qualidade é muito mais importante do que a quantidade. Não seria uma mãe feliz se optasse ser mãe full time. Amo minha filha, mas para mim, ter uma vida profissional é muito importante para me tornar uma pessoa realizada. Afinal, somos seres 360º.
Claro que eu conto com o benefício do trabalho autônomo, onde consigo ser muito mais presente do que se estivesse em uma empresa. Esta tem sido a combinação perfeita e assim como você, vejo que foi a melhor escolha para poder estar com a minha filha, levá-la as consultas sem pressa, ficar com ela em casa o dia que ela não está legal ou até mesmo ficar um tempinho com ela ao longo do dia para matar as saudades.
Muito legais os comentários. Fabiana, legal mesmo é perceber nos três que todo meu esforço resultou na construçcão de uma relação super forte. Mari, também acho que nunca é suficiente, mas a Denise tem razão. Denise, falo que sempre quero mais, mas também procuro reservar um tempo pras minhas atividades, correr, ler, pedalar, sair com a Bia e tantas outras coisas que gosto de fazer. Equilíbrio é importante, né!
tenho um menino de 5 anos e estou esperando gemeos espero que eu junto com meu esposo consigamos ter toda esaa dedicação com nossos filhos que saibamos dividir e aproveitar o maior tempo possivel com as crianças.
Foi muito bom voce ter percebido essa nessecidade da dedicação bem cedo, pois outros só percebem depois de muito sofrer e ver que não tem outro jeito. Uma vez realizei que o tempo gasto com eles, como alguns pensam, não é perdido e sim ganho como pode ver na qualidade do relacionanento do convivio da amizade, que só exite atraves disso.Me arrependo que quando podia ter feito tudo isso com os meus não fiz.Os tempos eram muito diferentes e perdiamos tempo com coisas menos importantes. Mas já passou então…..Tenho muito orgulho de voce como pai tambem.